Mãe atípica morre em Marília. Família questiona falhas no atendimento da UPA Norte

Mãe atípica morre em Marília. Família questiona falhas no atendimento da UPA Norte

A trágica morte de Josiane Gomes Pelegrin Dias, conhecida como Josi, uma ativista de inclusão, servidora pública municipal e mãe atípica, provocou uma onda de pesar e indignação em Marília. Josi, de 41 anos, faleceu no dia 9 de janeiro após ser atendida na UPA Norte de Marília, onde passou por uma série de incidentes que geraram questionamentos sobre a qualidade do atendimento e o trato com pacientes vulneráveis.

Josi, que era conhecida por sua atuação em prol de mães atípicas e crianças com necessidades especiais, especialmente o Transtorno do Espectro Autista (TEA), tinha uma trajetória marcada por sua luta incansável por melhores condições de saúde e inclusão. Ela era mãe de três filhos, dois com TEA e um com esquizofrenia, e também atuava em grupos de apoio a mulheres que enfrentam desafios semelhantes. Além disso, Josi era servidora pública municipal em Marília, onde trabalhava como agente operacional de serviços, sempre dedicada a suas funções e a promover a inclusão no ambiente de trabalho e na sociedade.

De acordo com familiares e amigos, Josi procurou atendimento médico após se sentir mal durante uma caminhada, com sintomas como falta de ar e dor no peito. Ela foi levada à UPA Norte, onde, segundo sua prima, os exames realizados não indicaram problemas graves, e ela foi liberada. No entanto, Josi não se sentiu segura para ir embora e continuou a pedir por transferência para um hospital com melhores condições de atendimento, como a Santa Casa, o que foi negado.

Em vídeos gravados por Josi, é possível ver a maca sem lençol, o quarto sujo de vômito e a falta de cuidado com sua higiene pessoal. Ela relatou dificuldades para chegar ao banheiro e, durante esse período, acabou defecando na roupa. Sua prima questiona a decisão da UPA de isolá-la em um quarto, sem a observação adequada, e destaca a falha no atendimento, já que Josi não foi colocada em uma ala de emergência ou em observação junto aos demais pacientes.

Indignação da Família e Amigos
A família, que ainda está em choque pela perda, questiona a rapidez da alta médica, especialmente após a paciente relatar não se sentir bem. Eles também apontam a falta de condições adequadas para o atendimento, como a ausência de cuidados de higiene e a negligência no acompanhamento de sua saúde.
"Como é possível que ela tenha sido liberada tão rapidamente, se estava pedindo por ajuda e já mostrava sinais de complicações?", pergunta a prima, visivelmente abalada. Ela destaca que Josi estava ciente de que precisava de mais cuidados médicos e não deveria ter sido mandada para casa.
Amigas e colegas também expressaram seu pesar e indignação. Uma delas compartilhou uma carta emocionada, lamentando a morte de Josi e destacando seu papel de liderança nas causas de mães atípicas e de inclusão social. "Josi morreu sozinha, pedindo por ajuda. E quantas mais precisarão morrer antes que as autoridades e o sistema de saúde realmente olhem para nós?", questiona.

Clamor por Justiça e Mudanças no Atendimento
A morte de Josi gerou um clamor por respostas das autoridades e do próprio hospital. A Secretaria de Saúde de Marília, em resposta aos questionamentos, afirmou que está apurando o caso. No entanto, a dor da família e a indignação da comunidade permanecem, já que muitos se perguntam se essa tragédia poderia ter sido evitada com um atendimento mais humano e responsável.

Nota Direção da UPA Zona Norte/Unimar:
Procurada pelo Portal Marília Alerta, a Assessoria de Imprensa da Unimar enviou a seguinte nota: "A direção da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Zona Norte lamenta profundamente o falecimento da paciente Josiane Gomes Pelegrin Dias, ocorrido na madrugada do dia 9 de janeiro de 2025.
Expressamos nossas condolências aos familiares e amigos neste momento de dor. A paciente foi admitida e durante sua permanência na unidade recebeu, de nossa equipe de saúde, todos os esforços cabíveis e procedimentos para estabilizar seu quadro clínico. Em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e aos pacientes, a unidade não divulga informações de saúde dos usuários do serviço".